Por Que Renováveis?

Fontes de Energia Renovável Rio de Janeiro

A eletricidade no Brasil é gerada em grande parte por fontes renováveis, sendo o maior volume gerado por grandes hidroelétricas, mas há significativo investimento em projetos de grande escala para geração eólica

Em 2011, quase 90% da energia elétrica brasileira foi gerada através de fontes renováveis [1].

O Brasil é a nação líder na geração centralizada de energia elétrica por meio de recursos renováveis e tem uma estratégia nacional clara que envolve aumentar a sua capacidade de energia renovável [2].

O Brasil tem um dos maiores sistemas fluviais do mundo, e a vasta maioria da eletricidade do país é produzida por usinas hidroelétricas.

Além disso, estão sendo desenvolvidos projetos eólicos, solares e de biomassa de grande escala. Ao desenvolver estas fontes de energia renováveis adicionais, o Brasil terá uma maior diversidade em sua rede e isto assegurará o fornecimento de energia do país. Assim, simplesmente conectar as diversas fontes de energia em rede parece ser ecologicamente suficiente.

Entretanto, há uma variedade de argumentos econômicos, estratégicos, ambientais e sociais que suportam o uso da tecnologia de energia renovável local no Rio de Janeiro. Embora a rede elétrica no Brasil seja de base renovável, existem vantagens inerentes associadas aos projetos de microgeração. Gerar eletricidade perto do local onde ela é consumida melhora a qualidade do serviço e reduz as perdas de transmissão.

A maior parte da eletricidade do Brasil é gerada por grandes usinas hidroelétricas. Embora a hidroeletricidade seja um modo extremamente eficiente de geração de energia, fornecer esta energia para o Rio de Janeiro envolve a utilização de linhas de transmissão com centenas de quilômetros de comprimento [3]. A transmissão de energia elétrica é um processo ineficiente e as perdas de rede no Brasil correspondem a 17% [4].

O Brasil é muito dependente da hidroeletricidade e uma única usina (Itaipu) é responsável por mais de 25% da geração total de energia elétrica no país. No passado, esta dependência em uma única fonte de energia apresentou problemas. O Brasil enfrentou uma das mais sérias crises energéticas de sua história em 2001 e 2002.

Esta crise foi resultado de vários anos de chuvas abaixo do nível normal, o que reduziu a capacidade de geração hidroelétrica. Os reservatórios chegaram a níveis tão baixos que não foi possível assegurar o fornecimento de energia por mais de 4 meses. Desde então, o Governo Brasileiro se comprometeu a desenvolver formas alternativas de geração de energia em grande escala incluindo energias eólica, solar e de biocombustíveis.

A microgeração de energia elétrica renovável em edificações (solar fotovoltaicos ou cogeração biomassa/biocombustíveis) ajuda a equilibrar os períodos de pico de demanda, diminuindo a dependência na geração central de eletricidade. Além disso, tecnologias renováveis como os sistemas solares térmicos servem para reduzir a demanda por eletricidade e a dependência em uma única fonte de energia. A microgeração local de eletricidade aumentaria a garantia do fornecimento através da diminuição da dependência das longas linhas de transmissão.

Aprimorar o Controle das Partes Interessadas

As partes interessadas devem aumentar o controle sobre a sua própria segurança energética. Muitas das tecnologias de energia renovável são relativamente simples (ex. solar térmica) e os usuários finais podem ser treinados para monitorar e manter estes sistemas.

Todas as partes interessadas, desde os projetistas até os usuários dos edifícios, devem participar do processo de design. O auxílio  às partes interessadas a “serem donos” de  projetos de tecnologia renovável capacita as comunidades locais e promove oportunidades de treinamento educacional. Um bom exemplo é a iniciativa da Municipalidade do Rio de Janeiro de utilizar energia solar térmica para moradias populares.

Estar em Conformidade com os Objetivos Estratégicos de Energia do Rio de Janeiro e do Brasil

A geração distribuída de energia é uma forma excelente de diversificar as fontes de energia, especialmente dada a excessiva dependência da hidroeletricidade no Brasil. O Governo Brasileiro reconheceu esta oportunidade e já facilitou a conexão de geradores de energia renovável de pequena escala à rede energética.

A ANEEL, Agência Nacional de Energia Elétrica, anunciou em abril que a eletricidade gerada através de tecnologias renováveis de pequena e média escala podem ser conectadas à rede de fornecimento central através de “medidores inteligentes” de energia. A interconexão baseia-se em um sistema de crédito – quando o gerador local produz energia em excesso, a sobra é transferida à rede e o gerador acumula um crédito [7].

O Governo do Estado do Rio de Janeiro reconheceu que o aquecimento solar da água é um excelente modo de reduzir a demanda por energia na cidade, de reduzir as emissões de GEE e de contribuir para a segurança do fornecimento central de eletricidade. Para promover o uso de energia solar no aquecimento de água, uma lei estadual obriga a inclusão de sistemas solares térmicos em prédios públicos novos e reformados no Rio de Janeiro, onde a energia solar gerada deve satisfazer pelo menos 40% da demanda anual de água quente.

Foi proposta a extensão desta lei para incluir todos os edifícios novos e é provável que ela entre em vigor num futuro próximo. A cidade do Rio de Janeiro planeja instalar sistemas de aquecimento solar em 400.000 moradias de baixa renda, incluindo empreendimentos que serão construídos para abrigar residentes de favelas [6].

A diversidade dos recursos energéticos é um objetivo estratégico importante para o Brasil e para o Rio de Janeiro. A microgeração distribuída através de uso de tecnolgias renováveis contribuirá significativamente para que este objetivo seja alcançado.

Contribuir com o Programa de Desenvolvimento de Baixo Carbono da Cidade do Rio de Janeiro

O Programa de Baixo Carbono da Cidade do Rio de Janeiro foi desenvolvido conjuntamente pelo Governo do Rio de Janeiro e pelo Banco Mundial. Lançado em junho de 2012, a meta do programa é garantir 2,3 millhões de toneladas de reduções de emissão de carbono até 2020, o que equivale a 20% das emissões do município em 2005. O programa vai incluir:

  • Programa de reflorestamento urbano e manutenção
  • Sistema de transporte BRT (Bus Rapid Transit)
  • Sistema de gestão integrada de resíduos sólidos
  • Políticas de reciclagem
  • Edifícios com melhor eficiência energética
  • “Rio, capital da bicicleta” – sistema público de bicicletas compartilhadas e duplicação da rede de ciclovias da cidade

Alguns destes projetos já foram iniciados, como a duplicação da rede de ciclovias, a inauguração do primeiro dos quatro corredores exclusivos do sistema de transporte BRT e a universalização do saneamento básico na Zona Oeste, a área mais populosa da cidade. Certificado pela norma ISO, o programa auxiliará o município no monitoramento e na contabilização das ações de mitigação de mudanças climáticas em diferentes setores utilizando o inventário de GEE, que mede as emissões de GEE da cidade [8].

Pela lei, o inventário de GEE vai ser revisto a cada 4 anos (começando em 2012), utilizando a ferramenta do Protocolo de GEE [9]. Este estudo vai permitir que a cidade entenda, quantifique e gerencie as emissões de GEE.

Estar em Conformidade com as Metas de Redução de Carbono do Rio de Janeiro

A cidade do Rio de Janeiro estabeleceu novas metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Estas metas foram estabelecidas  por lei e são as seguintes:

  • 2012: Redução das emissões de GEE em 8%
  • 2016: Redução das emissões de GEE em 16%
  • 2020: Redução das emissões de GEE em 20%

Todas as metas referem-se à redução das emissões comparadas com o ano de 2005.

A cidade do Rio de Janeiro se comprometeu a realizar todos os trabalhos, programas, atividades e projetos necessários para atingir essas metas de redução de emissões de GEE. Esta diretriz  também deverá influenciar as políticas de planejamento da cidade [10]. A implementação de tecnologias renováveis e o design de eficiência energética serão necessários para que os projetos de construção futuros estejam de acordo com a legislação.

Promover Benefícios Socias e Ambientais

Em face do rápido aumento de demanda por eletricidade, o Brasil pretende expandir a sua capacidade de geração de energia através de tecnologias sustentáveis. Isto, entretanto, não será feito sem problemas. A nova usina hidroelétrica planejada para Belo Horizonte está em processo de litigação, sendo que a Justiça Federal ordenou a suspensão de sua construção em agosto de 2012. O projeto enfrenta forte oposição pelo movimento verde brasileiro, que estima que entre 20.000 e 40.000 pessoas serão desalojadas [11].

Projetos locais de energia renovável reduzirão a demanda por grandes projetos centralizados, assegurando o fornecimento de energia sem afetar adversamente  as comunidades e os ecosistemas.

Conquistando Créditos nos Programas de Certificação Ambiental

Com o crescente foco no desenvolvimento sustentável, clientes públicos e privados no Rio de Janeiro começaram a exigir que os seus edifícios cumpram os requisitos para a obtenção dos selos de certificação LEEDBREEAM, ou AQUA. Estes são programas de certificação ambiental não governamentais que fornecem parâmetros reconhecidos para a concepção, construção e operação de edifícios sustentáveis.

A  grande maioria dos créditos em cada um dos selos mencionados é determinada pela forma de utilização de energia. Designs com eficiência energética e o uso de tecnologias renováveis ou de baixo carbono são essenciais para projetos que pretendem atingir altas pontuções.

Referências

  1. “BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL,” 2012. Disponível em: https://ben.epe.gov.br/downloads/Resultados_Pre_BEN_2012.pdf [Acessado em: 20-Sep-2012]
  2. “Plano Decenal de Expansão de Energia,” Brasilia, 2010. Disponível em: http://www.epe.gov.br/PDEE/20120302_1.pdf [Acessado em: 20-Sep-2012]
  3. “Transmission Expansion in Brazil for Renewables.” [Online]. Disponível em: http://www.ieee.org/organizations/pes/meetings/gm2012/slides/pesgm2012p-001808.pdf [Acessado em: 17-Sep-2012].
  4. “Electric power transmission and distribution losses,” World Bank, 2012. [Online]. Disponível em: http://data.worldbank.org/indicator/EG.ELC.LOSS.ZS [Acessado em: 25-Sep-2012].
  5. “Brazilian power cut leaves 60 million in the dark,” The Guardian. [Online]. Disponível em: http://www.guardian.co.uk/world/2009/nov/11/brazil-power-cut-rio-madonna [Acessado em: 18-Sep-2012].
  6. “A thousand solar roofs for Brazil | Global Ideas.” [Online]. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=U9q7x_CxN1c&feature=BFa&list=FLFXQKmejUaemgXA4DFDkt9A [Acessado em: 18-Sep-2012].
  7. “ANEEL aprova regras para facilitar a geração de energia nas unidades consumidoras” [Online]. Disponível em: http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/noticias/Output_Noticias.cfm?Identidade=5457&id_area=90 [Acessado em: 17-Sep-2012].
  8. “City of Rio and World Bank Launch Ground-Breaking Program for Low Carbon City Development,” Rio Prefeitura, World Bank, 2012. [Online]. Disponível em: http://www.dnv.com/binaries/Press_Release_Low_Carbon_Event_June_18_2012_Eng_FINAL_tcm4-520458.pdf [Acessado em: 11-Sep-2012].
  9. “City GHG Accounting,” Greenhouse Gas Protocol, 2012. [Online]. Disponível em: http://www.ghgprotocol.org/city-accounting [Acessado em: 11-Sep-2012].
  10. DECRETO Nº 31414 DE 30 DE NOVEMBRO DE 2009 [Online]. Disponível em: http://www.resol.com.br/textos/decreto_no_31414_de_30_de_novembro_de_2009_-_metas_de_reducao_de_gee_no_mrj.pdf
  11. “Belo Monte dam caught up in litigation – UPI.com.” [Online]. Disponível em: http://www.upi.com/Business_News/Energy-Resources/2012/08/17/Belo-Monte-dam-caught-up-in-litigation/UPI-90571345207149/?rel=86031345821304 [Acessado em: 17-Sep-2012].